Como é bom chorar de alegria

Por Valdeci Oliveira –

Ao todo, foram 5.110 dias de espera. Ao todo, foram 14 anos com aquele Grito – com G maiúsculo mesmo – aprisionado na garganta. Felizmente, com muita luta, dedicação, garra e, principalmente, trabalho coletivo, a alegria tomou conta dos corações e mentes da torcida do Inter-SM, nosso querido Interzinho, que, com todo mérito, retornou à elite do futebol gaúcho. Torcedor, sócio e conselheiro do clube, eu e uma multidão trajada de vermelho e branco fomos ao êxtase no último domingo, no Presidente Vargas, com o gol do lateral Alan Balde, que garantiu o acesso do time à Série A. As lágrimas, minhas e de muitos, nem sequer esperaram o fim do jogo para surgirem.

Para nós, torcedores, independentemente da camiseta que vestimos, o futebol é um vai e vem de alegria e tristeza, de frustração e regozijo, de emoção e medo. E não importa que nos digam que se trata apenas de ‘um jogo de bola’, pois não é. Ali, naquele campo, onde 22 ‘guerreiros’ duelam com a bola nos pés, a disputa vai além da qualidade dos passes ou da agilidade do ‘arqueiro’, pois a passionalidade é quem dita as regras, é ela quem impõe o ritmo de quem assiste, torce.
Aqueles 90 minutos que vivenciei no último final de semana, na “Baixada”, realmente foram sofridos, com a expectativa sendo continuamente alimentada pela ansiedade. E quando tudo apontava para algo mais acessível do que o normal, o goleiro adversário vai lá e defende um pênalti a nosso favor.

Apesar de não ser “marinheiro de primeira viagem” nas peleias desportivas, neste caso ser calejado pouco importa, pois o sofrimento imposto ao coração alvirrubro não precisou de convite, ele veio com tudo. Coisa boa que tudo acabou em uma “explosão” de emoção, de alegria e de alívio.

Meus sinceros parabéns ao presidente Pedro Della Pascoa, ao técnico Bruno Coutinho, à incansável torcida e ao plantel heroicamente montado, mobilizado e muito bem treinado. Todo esse empenho, além de fortalecer, por óbvio, o próprio clube e o esporte local, incrementará nossa economia, projetará a nossa cidade para o estado e o país, gerará mais empregos e receita e, ao fim e ao cabo, injetará uma dose cavalar de estímulo à autoestima da nossa gente. E a elevação da autoestima de um povo é algo transformador e renovador.

Desafios imensos vêm pela frente. Mas essa análise fica para depois. Agora, o momento é de bater no peito e gritar forte: Santa Maria voltou à Série A! Santa Maria merece! Nosso povo merece esse choro bonito de alegria! Valeu muito, Inter-SM!

(Artigo originalmente publicado no jornal Diário de Santa Maria – edição 21 de agosto de 2025)

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