Depois de 17 longos meses, diversas reuniões, desculpas mil e um lamentável jogo de ‘empurra-empurra’ entre o governo do RS e a empresa concessionária responsável pelas obras na RSC-287, a cobrança de inúmeros atores – população e lideranças políticas e empresariais – fez com que, finalmente, nos últimos dias de setembro, máquinas pesadas estacionassem próximo ao leito do Arroio Grande, em Santa Maria. E chegaram ao local para iniciar o aterro que dará acesso aos equipamentos que serão utilizados nas fundações da nova ponte, já que a antiga estrutura foi levada pelas águas, pasmem, em abril do ano passado.
A ‘novela’ da ponte sobre o Arroio Grande é um grande exemplo de como as pessoas ou entes públicos muitas vezes tentam se livrar das suas responsabilidades, de como a privatização dos serviços públicos mira o bônus e ignora o ônus. E mostra também que, se não baixarmos a cabeça, podemos atravessar o túnel de desmandos, tenha ele ou não uma luz ao fundo.
Vencida a etapa da ponte, as energias agora se voltam para a abertura de uma nova frente de trabalho da duplicação da 287 a partir de Santa Maria. Apesar dos santa-marienses e de toda a Quarta Colônia estarem há muito tempo pagando pedágio, estes somente usufruirão da segurança e fluidez de um tráfego proporcionado por uma duplicação entre os anos 2040 e 2042, conforme o projeto original. Em recente audiência pública na Assembleia Legislativa, nós reivindicamos essa antecipação ao secretário da Reconstrução Gaúcha, Pedro Capeluppi, e ele sinalizou a disposição para avançarmos nas tratativas. Uma primeira reunião para discutir a questão foi marcada para a última terça-feira, 29 de setembro, mas horas antes do encontro, que incluía presença de vereadores e gestores públicos de Santa Maria, o compromisso foi cancelado pelo próprio secretário.
Novos movimentos estão sendo feitos, entre elas o reagendamento dessa conversa e a ampliação da articulação entre as diversas forças políticas da Região Centro. Vamos trabalhar também para que o ‘gatilho de tráfego’, dispositivo contratual que mede a quantidade de veículos que usam a rodovia, seja avaliado, pois houve considerável aumento de usuários na 287, no último período, por conta da rota turística da Quarta Colônia. E sendo atingido o volume previsto, a duplicação é automaticamente acionada.
A luta continua! Santa Maria, a maior cidade do eixo da rodovia, não pode ocupar o último lugar na fila da duplicação. Isso é inexplicável e inaceitável.
(Artigo originalmente publicado no jornal Diário de Santa Maria – edição de 2 de outubro de 2025)

