Por Valdeci Oliveira –
Mesmo com a “roda” da política em franco movimento – o que significa, em termos de Brasil, que devemos estar preparados para movimentos bruscos, mudanças de humor do mercado e no Congresso Nacional, acirramento de posições, entre outras -, e faltando 25 dias para o término de 2025, podemos afirmar que o balanço do ano foi positivo. Mesmo o mais empedernido oposicionista ao governo federal, que em público não pode admitir um mínimo de avanço sequer, lá no seu íntimo, se sincero for consigo próprio, terá de admitir que o período foi muito bom para o conjunto do país.
E são vários os índices que apontam para isso. O ano se encerra com o menor índice de pessoas sem emprego no Brasil, registrando 5,4% da força de trabalho, o menor já registrado desde o início da série histórica, em 2012. Também registramos um número recorde de trabalhadores com carteira assinada, o salário mínimo reajustado acima da inflação e o maior rendimento médio da história, passando de R$ 3.198 para R$ 3.507.
Outro grande feito, que muitos não enxergam justamente por se tratar de algo fora das suas realidades, foi o governo do presidente Lula ter retirado – novamente – o Brasil do Mapa da Fome da ONU, seara que voltamos a nos aproximar no governo de Michel Temer e terminamos atolados no do Bolsonaro, que empurrou 24 milhões de pessoas para a insegurança alimentar grave, com os pobres indo para fila do osso comprando espinhaços de peixe e pés de galinha para a sopa.
Até mesmo a inflação, que vem sendo utilizada como força de chantagem para a manutenção da taxa básica de juros em patamar pornográfico pelo Banco Central, está não apenas sob controle como também fechará o ano, no modo acumulado, como a mais baixa para um período presidencial desde o Plano Real, ou seja, um espaço de tempo de mais de 30 anos. E como se fosse pouco, o recorde anterior de menor índice de preços também foi num mandato de Lula, o segundo.
A bolsa de valores, outro termômetro de interesses, confiança e otimismo dos chamados “agentes financeiros”, pela primeira vez em toda sua história, alcançou os 162 mil pontos poucos dias atrás.
Importante ressaltar que o conjunto desses índices – oficiais, destaco – estão se apresentando melhores do que todas as previsões que vinham sendo feitas pelo mercado, economistas e pela própria oposição. Fora isso, se tratam de conquistas num país marcado por exclusões sociais gigantescas – em alguns casos impensáveis – e a partir de um trabalho executado tendo um Congresso em que o presidente Lula não tem maioria de votos.
Não bastasse a necessidade de darmos respostas às nossas inúmeras questões internas, tivemos de nos reorganizar da noite para o dia para enfrentarmos a maior traição sofrida pelo país desde o início da sua história Republicana, onde um grupo político, o mesmo que tentou um golpe de estado, arquitetou e executou um dos planos mais nefastos e de lesa pátria que temos notícia: a taxação e sanções econômicas contra o Brasil em parceria com uma nação estrangeira.
Apesar do enrosco, conseguimos reverter a maior parte, mas os prejuízos causados até aqui foram no patamar do bilhão. Aliás, nossas reservas internacionais estão US$ 33 bi maiores que o registrado em dezembro de 2022 e teriam sido elas a nossa bóia de salvação se não tivéssemos negociado a contento com o governo estadunidense.
Confirmadas as projeções feitas pelo Banco Central, com os números de 2025, o crescimento médio brasileiro nesse terceiro mandato do metalúrgico será de 2,8%, o maior desde o primeiro governo FHC, tirando é claro os dois primeiros mandatos de Lula (2003-2010). Ou seja, em todos os cenários econômicos apresentados, Lula só perde para ele mesmo.
Neste ano, o Brasil também saiu vitorioso em suas aspirações no combate ao crime, com a colocação em debate do PL Antifacção, proposto pelo Ministério da Justiça e enviado no final de abril à Câmara dos Deputados, mas que até então repousava inerte em alguma gaveta da gestão. Com a ação policial que terminou com mais de 120 mortos no Rio de Janeiro, que chocou não apenas o Brasil, mas o mundo, nossos nobres legisladores se viram obrigados a tratar do tema, não sem antes tentar desfigurá-lo, mas que segue agora sua tramitação normal.
Mas o gol de placa do ano de 2025, algo histórico na luta por justiça tributária e repartição, mesmo que apenas de uma parte, da riqueza produzida no país, e que será sentido diretamente pela população a partir de janeiro, quando entrar em vigor e aliviar o bolso de quem é assalariado, foi a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, promulgada pelo presidente Lula, que ao cumprir seu compromisso de campanha beneficiará algo em torno de 25 milhões de brasileiros.
É por essas e por outras que faço ouvidos de mercador diante da oposição ao presidente Lula, que comumente se apresenta estridente e patética atrás apenas de cortes para as redes sociais. É como dizem os mais antigos: enquanto os cães ladram, a caravana passa.
(Artigo originalmente publicado no site www.claudemirpereira.com.br)

