Artigo – A “indústria de fakes” trabalha, mas o Brasil trabalha mais

Por Valdeci Oliveira –

O 2026 começou com o governo do presidente Lula fechando os números do ano passado, com os melhores resultados econômicos do país dos últimos períodos: a mais baixa inflação desde 2018, o menor índice de desemprego da série histórica iniciada 2012, recorde no superávit da balança comercial e a renda da classe trabalhadora ultrapassando os R$ 3,5 mil, o mais elevado patamar da série de medição. Também obtivemos a maior massa de salários em circulação na economia brasileira e saímos do Mapa da Fome da ONU – pela segunda vez.

O caso da balança comercial é muito interessante. Mesmo com as tarifas dos EUA, que chegaram como sanções articuladas por falsos patriotas e geraram perdas para alguns setores, ela cresceu positivamente em R$ 9 bi no ano passado, um recorde sobre outros dois, estes batidos em 2023 e 2024, também pelo governo Lula. Aliás, os últimos três exercícios são os melhores resultados históricos para as exportações brasileiras. Estamos falando de algo perto de U$ 349 bi, que na nossa moeda chega a quase R$ 1,9 trilhão.

Outro dado que desnuda os discursos derrotistas diz respeito às nossas reservas, que são a quantidade de moeda estrangeira que temos em caixa e que mostra para a comunidade internacional que temos condições de honrar nossos compromissos com nações estrangeiras. Elas aumentaram US$ 32,2 bilhões em valores absolutos, o que corresponde a perto de 10% acima do último ano da gestão passada, que por sua vez reduziu significativamente o montante do saldo em R$ 50 bi. E nossa área plantada foi de 1,9 milhão de hectares a mais, e o Plano Safra (2025/2026) o maior da história do Ministério da Agricultura até então, com algo em torno de R$ 520 bi.

Mesmo não querendo fazer um exercício de futurologia, não há como não imaginar esses dados, que seriam ainda melhores, se as solicitações do governo para reduzir a taxa de juros – hoje em 15% e que se configura no maior entrave para o crescimento do país – fossem atendidas pelo Banco Central.

E quem diz isso, do entrave, além da equipe econômica e do próprio Lula, são representantes de setores da indústria, da produção brasileira, de quem quer investir e não ficar especulando no mercado financeiro, onde o objetivo e o mérito residem em ganhar bilhões sem produzir um prego sequer. Opinião semelhante tem o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, instituição respeitada e reconhecida internacionalmente pela excelência, tanto na formulação como na reformulação de políticas públicas e programas de desenvolvimento a serem aplicados na realidade e necessidades brasileiras.

E onde está o paradoxo disso tudo? É que ao lado das comemorações da vida real, dos números que não o deixam “mentir”, o governo continua a ter de dispensar esforços grandiosos para desfazer as famigeradas “fake news”, que causam desinformação, pânico e críticas – infundadas – junto a parcelas da população.

A mais recente – fora a que o país está em crise, arruinado – surgiu de uma conhecida atriz de novelas participante do programa Big Brother Brasil e que ganhou as manchetes da imprensa e as redes sociais nos últimos dias. Segundo a manifestação, o Bolsa Família leva à evasão escolar ao “incentivar” adolescentes a terem filhos para receber o benefício. A fala ignora completamente as regras, que indicam que os menores de 18 que não concluíram a educação básica precisam obrigatoriamente estar matriculados e frequentar no mínimo 75% das aulas para o benefício seguir ativo. Muitos não se chocam com a situação de miserabilidade de milhares de famílias, mas precisam de muito pouco para macularem uma política pública cujo objetivo é proporcionar o acesso de famílias em situação de pobreza a direitos básicos. Fora que não consideram que são as prefeituras – na sua imensa maioria chefiadas por partidos de direita e de oposição – as responsáveis pela inscrição das famílias no Cadastro Único (CadÚnico), que é o pré-requisito para inclusão no benefício.

As energias do governo também estão sendo direcionadas para desfazer as informações distorcidas, que funcionam como verdadeiros espantalhos criados com este objetivo, a respeito da implementação de pontos da Reforma Tributária, como a que diz que pedreiros, jardineiros, pintores e quaisquer outros prestadores de serviços terão que emitir nota fiscal, se formalizar e recolher impostos a partir de agora. Outra frente vai sobre o que a ala extremista da política brasileira vem, de forma reiterada, disseminando sobre o monitoramento de movimentações financeiras via PIX para fins de tributação, o que definitivamente não existe.

Mesmo com as previsões econômicas catastróficas feitas a partir da eleição de 2022 não se confirmando, ainda assim muitos caem em narrativas puramente eleitoreiras, mas que poderiam ser facilmente checadas no mesmo ambiente virtual onde são contaminados pela mentira.

Uma coisa é certa: quem precisa temer fiscalização do PIX é quem lava dinheiro do crime organizado.

Imagem: Jonathan Campos – AEN/Site do PT

(Artigo originalmente publicado no site www.claudemirpereira.com.br)

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