Artigo – A Mobilização e União pela 287 tem que seguir

Por Valdeci Oliveira –

O anúncio de que uma frente de trabalho da duplicação da RSC-287 será aberta a
partir de Santa Maria, feito na segunda-feira (19), pelo secretário estadual da
Reconstrução Gaúcha, Pedro Capeluppi, tratou-se de um avanço significativo em
relação ao que se tinha até então (veríamos ela somente entre 2040 e 2042) e uma
vitória do coletivo. Ela deve ser comemorada com os dois pés no chão e não esquecer
do principal, que esse resultado ocorreu após muita pressão e luta encabeçada por
vários atores, por várias mãos, em diferentes momentos.

Pesou a favor o fato de que o contrato com a concessionária espanhola Sacyr completa
nos próximos meses cinco anos de vigência, de um total de três décadas, o que
possibilitará sua “revisão quinquenal”, que é quando ele passa por uma nova avaliação
considerando as mudanças – técnicas e aumento de tráfego – ocorridas ao longo do
tempo.

O anúncio mostra ainda que valeu a pena termos conseguido agrupar o desejo comum
de muitos em torno do Comitê Permanente de Acompanhamento das obras e
manutenção da rodovia, criado na Assembleia Legislativa no ano passado. O que
tínhamos até então eram vários movimentos importantes, sérios, alguns isolados e
outros desarticulados, desprendendo mais energia do que obtendo resultados. E
enquanto isso, olhávamos a duplicação de longe, pagando pedágio e amargando um
último lugar na fila dos 204 quilômetros do projeto original.

O Comitê, um espaço de ação plural, foi a forma que encontramos para aglutinar de
forma resolutiva os esforços de setores da sociedade – prefeituras, câmara de
vereadores, associação de usuários e parlamentares – para algo que vínhamos fazendo
desde que foi definida a concessão, em 2021, quando propusemos e coordenamos, no
Legislativo estadual, a Frente Parlamentar em Defesa da Duplicação da 287, criada
para ouvir os atores envolvidos, defender os interesses das comunidades e buscar que
a concessão da estrada fosse, no sentido figurado, uma via de mão dupla, com
benefícios para os dois lados. Em poucos meses de atuação, o Comitê também
conseguiu ajudar a destravar a obra da ponte do Arroio Grande, levada pelas águas em
2024.

O prazo para o início dos trabalhos da nova frente de obras não foi definido, mas
esperamos que seja o mais rápido possível. E buscaremos isso com o mesmo empenho
até aqui demonstrado.
Em março, na volta do ano legislativo, iremos realizar a primeira reunião do ano do
colegiado, para seguir na pressão e na mobilização até que esse objetivo se torne
realidade.

(Artigo originalmente publicado no jornal Diário de Santa Maria – edição de 22 de janeiro de 2026)

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