Por Valdeci Oliveira –
Costumo dizer que qualquer cidade do Brasil e do mundo gostaria de ter uma UFSM. Mas ela é santa-mariense, é do coração do Rio Grande. E esse patrimônio gigantesco, que é nosso, completa no próximo domingo, dia 14 de dezembro, 65 anos de existência, o que nos enche de orgulho, nos envaidece, pois somos, cada um de nós, de uma maneira ou de outra, parte dessa conquista.
Outra efeméride, esta também conquistada neste ano, foram os 50 anos de criação do Programa de Pós-graduação em Extensão Rural da Universidade, que tive a honra de homenagear na última quarta-feira (10), em Grande Expediente no Parlamento gaúcho.
Talvez muitos não saibam, mas para além de um programa reconhecido, sua dinâmica, alinhada ao trabalho e comprometimento de muitas mulheres e homens, culminou com a criação do primeiro doutorado em extensão rural do Brasil e da América Latina, o que não é pouca coisa. E são os alunos egressos do curso que levam para diferentes territórios as abordagens teóricas, as metodologias participativas, os princípios da agroecologia, a promoção das inovações produtivas e sociais no campo e a perspectiva crítica de desenvolvimento rural construídas ao longo de décadas pelo programa.
Também são eles que defendem a agroecologia não apenas como um conjunto de técnicas alternativas, mas com um enfoque científico, ético-político e metodológico capaz de guiar processos de desenvolvimento fundamentados na sustentabilidade ambiental, na justiça social e na autonomia dos agricultores.
Agroecologia: saúde, vida e ciência na mesa de todos
São trabalhos como esses, aliados a outras ações públicas, que em última instância são frutos de escolhas políticas, que ampliam e melhoram a alimentação escolar, que incentivam a produção de alimentos saudáveis, que dão a merecida chance para que a agricultura familiar gaúcha e brasileira se desenvolva e seja reconhecida como a verdadeira responsável pelos alimentos que chegam à nossa mesa. São trabalhos como estes que, à sua maneira, contribuíram para que o Brasil saísse novamente do Mapa da Fome da ONU.
Mas não nos enganemos: o programa só pôde acontecer, somente se estabeleceu e cresceu em amplitude e importância porque estamos falando de uma universidade pública, gratuita e de qualidade, uma universidade comprometida com partilhamento dos saberes, com a vida real da população e com a construção de uma sociedade mais justa, inclusiva e participativa.
Viva o programa de pós-graduação em extensão rural da UFSM. Viva a pesquisa, viva a extensão, viva ciência. Somos todos UFSM!

