Unir o centro democrático e defender a soberania

Por Valdeci Oliveira –

Escrevo este artigo às vésperas de assumir mais um desafio que me foi proposto pelos companheiros e companheiras do Partido dos Trabalhadores, que é o de ocupar, a partir de 30 de agosto, a presidência estadual da legenda na qual milito há mais de meio século. Não sei se o maior desafio, mas com certeza um dos mais importantes, principalmente considerando a conjuntura, onde a disputa e a ação política talvez estejam em patamares muito acima da média, e que os resultados desta fazem toda a diferença na vida da população gaúcha e brasileira.

Exemplo raro de democracia interna, onde o voto do filiado menos conhecido tem o mesmo peso e valor que o de uma liderança como a de Lula, o Processo de Eleição Direta, realizado nacionalmente em julho passado, foi o maior já feito pelo PT, com mais de 549 mil votantes no país e 26 mil no RS.

Ouso afirmar que assumirei o comando do nosso partido no RS, assim como outros 26 homens e mulheres de cada unidade da federação, numa conjuntura que nos coloca frente a um momento crucial na História recente do país, que apesar das diferenças, é comparável, em sua importância, ao golpe contra a presidenta Dilma, que abriu espaço para a destruição das políticas públicas de inclusão social, do retorno das privatizações criminosas, da retirada das receitas do Pré-Sal da saúde e educação, onde direitos foram jogados no lixo pelas reformas da Previdência e Trabalhista. Sem falar na prisão ilegal de Lula.

Assumo a presidência do meu partido no RS num momento comparável ao que levou à vitória do fascismo, em 2018, que enalteceu o ódio, o negacionismo e o extremismo, que usou a religião para manipular, que armou a população, tirou jovens das universidades e negou emprego e renda decente para o povo. Foi quando ofereceram aos pobres a fila do osso e colocaram o Brasil novamente no Mapa da Fome. E planejaram um golpe, o assassinato de autoridades, a explosão de aeroporto e a do próprio corpo em frente ao STF.

O momento político que vivemos é comparável à derrota deste mesmo fascismo – por pouco e apenas nas urnas – por Lula em 2022, mas que cresceu no Congresso e quer continuar dando as cartas.

E agora, enquanto temos de evitar o retrocesso em 2026, que vem vestido com trajes de ‘moderado’, precisamos defender nossa soberania de um ataque externo, sem precedentes, feito pela maior potência econômica e militar do planeta e liderado pela extrema-direita. Um ataque sob encomenda de uma família e seus aliados para livrar da cadeia quem atentou contra a Democracia, contra a vida de opositores e agora ataca a soberania nacional, nossas instituições, nossas empresas, nossos empregos.
Porém, esses desafios são do tamanho da nossa vontade de lutar, da convicção de que o diálogo com o campo progressista e democrático deve e precisa ser ainda mais fortalecido, ampliado, costurado de forma coletiva, ouvindo muito, propondo, formulando com os diferentes, alargando nosso poder de ação. Nossos desafios são do tamanho da nossa militância, da certeza de que um outro mundo é possível, que a inclusão social e a plena cidadania do povo são o nosso norte.

E para isso é preciso que o PT, a principal barreira de proteção político-partidária contra o avanço do totalitarismo verde e amarelo, faça todos os esforços possíveis, interna e externamente, para unir o chamado centro democrático em torno dessa pauta que continua urgente. E essa gestão, que será partilhada com outros campos petistas, é um exemplo dessa sinergia que estamos buscando e pela qual iremos trabalhar.

E para isso não desperdiçarei um dia sequer à frente do PT do RS para construir o diálogo, aproximar as vozes, reunir as forças políticas e movimentos sociais em torno de propostas que busquem a reeleição do presidente Lula, da ampliação das nossas bancadas estadual e federal e da reconquista do Piratini para um projeto popular e participativo.

Lá atrás, em 2022, dissemos que aquela eleição seria a mais importante das nossas vidas. E realmente o foi – até aqui. Mas a disputa de 2026 não será diferente e será definidora de muitas coisas, seja no aspecto democrático, na garantia da nossa soberania, na chance do pobre continuar no orçamento e do rico no imposto de renda.

E como presidente do PT/RS não medirei esforços em defender meu partido do ódio de quem é contra as transformações estruturais que tanto incomodam a Casa Grande, em defender o governo do Presidente Lula, que em 2 anos e meio tirou novamente o Brasil do Mapa da Fome, reduziu o desemprego a patamares históricos, controlou a inflação, retomou o Minha Casa, Minha Vida, o Prouni, os Institutos Federais, os investimentos em saúde e educação, possibilitou aumento na renda e o maior ganho para o salário-mínimo.

Na presidência do PT/RS reafirmarei cotidianamente o compromisso com a cultura da Paz, com a não violência, com a não agressão, com a vida, em favor da população pobre, preta e periférica, das mulheres, das crianças, das populações originárias e de cada centímetro dessa terra chamada Brasil.

(Artigo originalmente publicado no site www.claudemirpereira.com.br)

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