Por Valdeci Oliveira –
O começo do cumprimento da pena imposta ao ex-presidente Bolsonaro e integrantes da tentativa de golpe de estado é um marco na História da nossa República. Afinal, pela primeira vez em mais de 130 anos, desde que Deodoro da Fonseca desbancou a monarquia, e das dezenas de insurreições fardadas que se sucederam depois, militares de alta patente foram para o banco dos réus e condenados por atentarem contra a nossa Democracia. E se considerarmos esse passado não muito nobre, cujos resultados exalavam injustiças, perseguições e mortes, é preciso comemorar e reconhecer o amadurecimento da sociedade civil, a resistência das nossas instituições e o respeito às regras dentro das próprias Forças Armadas.
E ao contrário do discurso adotado por “pseudo-patriotas” – que exaltam bandeiras e sanções estrangeiras para justificar o injustificável -, tratou-se de um processo acompanhado por um calhamaço de provas, visto de perto pela opinião pública, que respeitou os ritos e prazos, garantiu o direito de defesa dos réus e o acesso à farta quantidade de material recolhido no curso do processo. Aliás, ninguém envolvido no sórdido plano teve direitos surrupiados, não foram presos sem mandatos judiciais, não tiveram as portas de suas casas postas abaixo, não desapareceram nem tiveram
seus corpos violados pela tortura – justamente tudo aquilo que a última Ditadura Militar por nós vivida e defendida por esse grupo e seus seguidores proporcionou aos seus oponentes políticos.
Diante de tudo que vimos naquele 8 de janeiro de 2023 e do que ficamos sabendo depois com as investigações, dizer que o processo foi injusto seria hilário e patético não se tratasse de, sejamos claros, choro de perdedor. Mas há quem não se importe em exalar um cheiro fétido ao patrocinar uma proposta de anistia para “apaziguar” o país, mesmo que envolta no mais alto grau de desonestidade intelectual quando comparada com a de 1979, que teria “beneficiado” os dois lados em conflito, escondendo que aquela foi imposta por quem estava no poder e para atender verdadeiramente quem prendeu, torturou e matou milhares de forma hedionda, por motivos fúteis e sem chance de defesa. Aliás, essa nova tentativa de golpe só aconteceu porque nunca se puniu esse tipo de crime no país.
Página virada, nesta semana o Brasil deu um passo concreto para criar uma vacina contra o golpismo, que não pode ser solução para nada. A solução é e sempre será a Democracia, seu aprofundamento e o fortalecimento das instituições que a garantem.

