O retorno da oferta da modalidade do ensino médio noturno no centenário Instituto Estadual de Educação, de Caçapava do Sul, mobilizou a comunidade escolar do município, que levou a demanda à Comissão de Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa nesta terça-feira (11/11). O requerimento da participação dos representantes escolares de Caçapava do Sul no encontro do colegiado foi apresentado pelo deputado Valdeci Oliveira a partir de solicitação feita pelo vereador Giordano Borba, ex-aluno do educandário, e pela comunidade escolar. “Temos um problema na nossa cidade, pois a maior parte dos nossos jovens são alunos do ensino médio e precisam trabalhar, fazer seus estágios na parte da tarde e não podem optar pelo modo integral”, explicou o professor Marcos Mesquita, vice-diretor da escola, que participou de forma remota da reunião, junto com dezenas de pais, alunos e professores, além do vereador Giordano. “Trata-se de uma reivindicação justa e legítima. Já vivenciamos inúmeros casos de fechamento de escolas, de turmas, de cursos e de turnos, o que sempre é problemático. Vamos fazer a interlocução com a Secretaria Estadual de Educação (SEDUC)”, assegurou Valdeci, destacando que ele próprio, quando jovem, enquanto trabalhador do comércio e como metalúrgico, só conseguiu concluir seus estudos por conta das aulas noturnas. “A comunidade está pedindo algo absolutamente importante e necessário para que os jovens não saiam da escola por conta do trabalho ou estágio. E isso é algo que nos unifica. Para poder trabalhar e estudar é preciso oferecer oportunidades. Esperamos sensibilizar o governo do estado e a Seduc”, completou.
De acordo com a presidenta em exercício da Comissão de Educação da ALRS, deputada Sofia Cavedon, pesquisa do Observatório da Educação mostra que no RS 44% dos jovens entre 15 e 29 anos estão apenas trabalhando porque não há compatibilidade entre trabalho e estudo. “Não adianta querer que não trabalhem. Ou então que exista uma bolsa de um salário-mínimo, pois eles contribuem com suas famílias”, acrescentou, destacando que a postura do governo tem sido de não escutar a vida real. “Somos uma escola grande e ao mesmo tempo bem pequena em termos de ocupação do seu uso. Nos últimos anos, registramos uma perda de cerca de 70% dos alunos que cursavam o ensino médio, situação que teve início com a pandemia e que se agravou depois, por conta da implementação do turno integral e da extinção das aulas à noite”, explicou Mesquita. Segundo ele, o Instituto Dinarte Ribeiro chegou a ter entre 10 a 12 turmas de 1º ao 3º ano, mas hoje contam com apenas uma para cada série, durante o dia, totalizando pouco mais de 50 alunos. Hoje, os estudantes que residem no entorno localizado na Região Central do município e próximo ao Bairro Floresta, precisam atravessar a cidade para se deslocar a outra escola por conta da falta de oferta de vagas no Dinarte Ribeiro em modalidade que não seja o ensino integral.
Conforme Mesquita, ofício pela reabertura das aulas à noite já foi enviado à 13ª Coordenadoria de Educação (Bagé), mas foi negado pelo órgão por conta do modelo da escola. “Já temos uma lista de 15 alunos, o que abriria a possibilidade de ao menos uma turma. E temos o conhecimento de que existem outras escolas de tempo integral no estado que possuem, inclusive, o EJA (Educação de Jovens e Adultos,) noturno. Esse pedido da comunidade, que seria bom para a nossa região e também por uma questão de manutenção da própria vida da nossa escola”, reiterou o vice-diretor, lembrando que a modalidade, com boa frequência de estudantes, estava em prática até 2022.
Os representantes da comunidade escolar de Caçapava do Sul encaminharão à Comissão de Educação do Parlamento o abaixo-assinado em defesa da demanda pelo retorno da modalidade noturna no Instituto Dinarte Ribeiro para que o colegiado intermedeie audiência com a subsecretaria de Desenvolvimento de Vagas da SEDUC. “Vamos acompanhar de perto o andamento no tema”, assegurou o deputado Valdeci.

