Na Assembleia, secretário estadual prevê que obras da Ponte do Arroio Grande começam em agosto

Sabatinado nesta terça-feira (15/7), em Porto Alegre, pelos membros do Comitê de Acompanhamento Permanente das Obras da RSC-287, que tem a coordenação do deputado estadual Valdeci Oliveira, o secretário estadual da Reconstrução, Pedro Capeluppi, anunciou um prazo extremamente aguardado pela Região Central do Rio Grande do Sul: de acordo ele, no próximo mês, em agosto, terão início as obras de construção na nova ponte do Arroio Grande, que está situada no Distrito de Palma, em Santa Maria, e que foi levada pela enchente há mais de um ano atrás. “O projeto para início da obra está “ok” e o trecho de aproximação da ponte, cerca de 800 metros, está sendo finalizado. A expectativa é iniciarmos (a construção da nova estrutura) ainda no mês de agosto”, assegurou.

O anúncio do secretário foi respaldado pela concessionária Sacyr. “É uma previsão factível, possível, sim. Os projetos estão com grau de maturidade muito avançados. Acabamos de entregar (à Secretaria da Reconstrução) as últimas revisões (técnicas) do projeto da ponte (do Arroio Grande) e do Arroio Barriga”, afirmou o diretor da Sacyr/Rota de Santa Maria, Leandro Conterato.

O deputado Valdeci, que há semanas cobrava a divulgação de um cronograma sobre o serviço, saudou o anúncio. “É um importante avanço. O prazo estava demorando demais para sair e nós fizemos uma pressão legítima por todos os canais possíveis. Nós vamos acompanhar de perto para que isso se concretize e que, finalmente, em agosto, a nova ponte comece a ser erguida. A ponte (do Arroio Grande) é um local onde passa toda a demanda da Região Central e parte do Vale do Rio Pardo em direção a Santa Maria em questão de saúde, educação e trabalho. Se não fosse as pontes (provisórias) do Exército estaríamos em uma situação gravíssima”, destacou.

Questionado por Valdeci, a respeito da possibilidade de abertura de uma nova frente de trabalho da duplicação da RSC-287, a partir de Santa Maria, Capeluppi também sinalizou positivamente, se disse “aberto ao diálogo” e enfatizou que o tema tem que ser alvo de tratativas em paralelo. A demanda tem sido reivindicada desde que teve início a concessão, em 2021. Lideranças políticas, empresariais e sociais da região não aceitam pagar tarifa para transitar por uma rodovia cuja duplicação somente chegará a eles depois de décadas – atualmente há obras somente em duas frentes: Tabaí e Santa Cruz do Sul. “A concessão não previu a duplicação de forma automática. Importante olharmos para esse contrato de maneira a atender a todos, fazer essa discussão apartada dos temas do dia-a-dia. Temos que sentar juntos e construir soluções para que todos possam se sentir parte desse projeto. Me comprometo a fazer a discussão, buscar uma solução”, afirmou Capeluppi.

Ainda segundo o secretário, diante de outros questionamentos feitos pelos participantes do encontro, como regularização dos acessos às propriedades ao longo da via e necessidade de adequações do projeto a distintas realidades ao longo dos 204 km, é natural que haja a flexibilização do contrato.

Capeluppi falou por quase uma hora diante dos integrantes do Comitê de Acompanhamento Permanente das Obras da RSC-287, grupo de trabalho criado a partir de uma proposta de Valdeci e integrado por prefeitos e vereadores de cidades localizadas no trajeto da estrada, representantes da Agergs, dos usuários e da própria empresa responsável pelos trabalhos de duplicação e conservação.

Outra ponte a espera de ser reconstruída, esta sobre o Arroio Barriga, deverá vir na sequência do início da obra do Arroio Grande, disse o secretário, assim como os trabalhos de recuperação da infraestrutura e resiliência climática em Mariante (na região de Venâncio Aires) e Candelária. “Os projetos estão sendo analisados há algum tempo, são maiores e mais complexos”, explicou.

Por sugestão de Valdeci, com concordância do secretário e dos presentes no plenário, o Comitê de Acompanhamento Permanente deverá se reunir a cada 60 dias para analisar o andamento dos trabalhos e “esclarecer quaisquer pontos de discordância que venham surgir, dirimir as dúvidas e dar mais transparência para todo o processo”, explicou Valdeci. O próximo encontro está marcado para 16 de setembro.

Também participaram da reunião os deputados Halley Lino, Airton Lima, Kelly Moraes, Paparico Bacchi e Tiago Simon, prefeitos, vereadores e lideranças sociais e empresariais de cidades como Agudo, Novo Cabrais, Santa Maria, Bom retiro do Sul, Vera Cruz, Áurea, Paraíso do Sul, Vale do Sol e Tabaí, além de representantes da Agergs, dos usuários da rodovia e da concessionária Sacyr.

CONCESSÃO – A 287 foi concedida pelo governador Eduardo Leite à iniciativa privada por um período de 30 anos, em 2021, com direito a 5 praças de pedágio instaladas ao longo dos seus 204 km entre Santa Maria e Tabaí, na Região Metropolitana de Porto Alegre. A ausência de concorrência na época – a empresa multinacional espanhola Sacyr foi a única interessada no edital -, a quantidade de postos de cobrança, valores da tarifa, período de concessão e organograma dos trabalhos de duplicação, por exemplo, têm sido objetos constante de críticas, tanto da sociedade como de gestores públicos e partidos de oposição e situação. “Não somos contra a duplicação, mas a favor da transparência, do retorno justo para sociedade, da agilidade dos trabalhos e que os benefícios não cheguem apenas para um dos lados, que não tem sido o de quem trafega pela rodovia ou reside próximo a ela”, explica Valdeci.

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