Artigo – O Brasil na linha de frente de proteção ao planeta 

Por Valdeci Oliveira –

A 30ª edição da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP 30, encerra suas atividades na capital paraense nesta sexta-feira (21), ou seja, escrevo estas linhas antes de saber o conteúdo final das diretrizes aprovadas. Mas, independentemente disso, foi dado mais um passo em direção a um mundo mais sustentável, menos poluído e excludente. E o fato de buscarmos, enquanto planeta, formas reais de estabilizarmos a emissão de gases de efeito estufa na atmosfera, cuja concentração se torna grave a cada ano, é um passo positivo.

Porém, se ficarmos apenas nas palavras, a vinda de representantes de quase 200 países e a participação mais de 55 mil pessoas das mais diferentes nacionalidades será pouco diante do problema em que nos metemos por conta das nossas escolhas feitas há mais de dois séculos, quando, a partir do primeiro poço de petróleo perfurado nos EUA, concentramos todas nossas esperanças de um mundo pujante no então “ouro negro”. Entendo também que não tínhamos como ignorar, visto a quantidade sob nossos pés e o potencial da sua aplicação em termos de energia e subprodutos. Difícil imaginar a evolução do mundo até aqui sem o “empurrão” que o petróleo deu em seu desenvolvimento – para o bem ou para mal.

E como uma coisa leva a outra, diversas decisões foram impostas “goela abaixo” de muita gente por conta disso – incluindo guerras. Mas as opções para substituí-lo agora existem e são inúmeras, assim como a necessidade de mudarmos nosso modo de pensar o planeta, nosso papel enquanto pequenos consumidores num exército de 8 bilhões de pessoas. Só para constar, em julho passado, conforme os índices estabelecidos por pesquisadores e cientistas em relação ao que somos, enquanto planeta, capazes de produzir em termos de recursos naturais para a manutenção da espécie humana, nós consumimos tudo seis meses antes do prazo previsto.

Se fosse uma conta-corrente, ficamos no negativo na metade do mês. Fora que esse “consumo” foi feito por alguns mais que outros, como se um grupo de amigos fosse a um restaurante e no final dividissem a conta igualmente, sendo que uma parte comeu pratos mais caros e degustaram bebidas mais nobres em detrimento de quem ficou apenas no “couvert” da casa.

Foi somente nos anos 1990 que as mudanças climáticas ganharam a relevância necessária. E a Rio 92 – ou Eco 92 – foi seu marco, seu maior encontro realizado até aqueles dias. E desde então, com exceção de ações governamentais ocorridas em anos não muito distantes, o Brasil sempre foi figura relevante, participativa, propositiva.

E nesta 30ª edição não há como negar que existe uma diferença indiscutível – e reconhecida pelo mundo civilizado – entre o que país foi em relação ao tema entre 2019 e 2022 e agora. A partir de 2016, o clima foi um dos primeiros temas a ser ignorado – num primeiro momento não oficialmente – em termos de política pública e externa, pois seu controle, compensações e ações de mitigação custam caro e vão de encontro a interesses como do grande Agro, mineração, indústria de pesticidas, petróleo, etc. Mas os desafios continuam, pois não há como falar em “transição” energética sem a participação e uso de combustíveis fósseis por um tempo – difícil prever por quanto.

Fora isso, tem muito país – de potências a pequenos – que, por serem produtores ou consumidores dependentes, buscam se não travar, retardar opções energéticas que passem ao largo da queima de recursos não renováveis.

Por outro lado, há clareza de que a eliminação do método de combustão como forma de movimentar o mundo é a diferença de termos ou não futuro. O que é preciso – e esse é o desafio – é colocar em prática ações que já vem sendo discutidas, negociadas, formatadas há algum tempo e que objetivam conscientizar governos, envolver sociedades, fazer com que países invistam em energia limpa, que quebrem paradigmas de forma de produção e consumo, de modos de vida que resultam em agressão ao planeta e a nós mesmos. Mas como tudo que cerca a “vida real”, são questões que também envolvem nós mesmos, pois enquanto indivíduos não estamos livres de termos de fazer sacrifícios em nosso estilo de vida em prol de um horizonte ali na frente que não seja um penhasco.

De qualquer forma, a realização da COP no Brasil mostrou o reconhecimento do mundo no Brasil e o compromisso do governo do presidente Lula com a proteção da vida, da natureza, no desenvolvimento sustentável e no combate às desigualdades sociais e econômicas não apenas dentro das nossas fronteiras. Entre os avanços já confirmados, a redação de 30 sugestões para limitar o aquecimento global e a aprovação da proposta de Lula de criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre, que nasce com mais de R$ 10 bilhões para proteger a Amazônia.

O mundo é além da nossa porta, da nossa rua, do nosso bairro e cidade. Ele continua depois do nosso estado, do nosso país. Ele é branco, preto, amarelo e indígena. E como nós, tem interesses diversos e muitas contradições. Mas mesmo assim continua sendo um só planeta.

(Artigo originalmente publicado no site www.claudemirpereira.com.br)

Foto: RICARDO STUCKERT/PR

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