A semana que passou trouxe uma boa notícia para Santa Maria, com a concessionária Sacyr anunciando, em reunião na Assembleia Legislativa, o início das intervenções para a segunda ponte sobre o Arroio Grande, estrutura destruída na enxurrada de 2024. A previsão é que em seis meses o trabalho esteja concluído. Até lá, enquanto deputado da região, usuário semanal da rodovia e coordenador do Comitê de Acompanhamento Permanente das Obras da RSC-287, continuaremos cobrando por uma solução definitiva para um problema que, daqui a duas semanas, completa dois anos. Somente dias atrás, a primeira estrutura foi finalmente liberada para o tráfego.
Nunca é demais lembrar – para não repetirmos erros do passado – que desde aquele fatídico 30 de abril, apesar da estrada ter sido privatizada em 2021, foi o Exército Brasileiro que nos garantiu o tráfego no local, com a montagem de duas estruturas provisórias, que somente agora estão se despedindo de quem lá trafega. Não fosse esse auxílio, é fácil imaginar o caos que estaríamos enfrentando, pois, além da inércia do governo vista até aqui, na modelagem do negócio não há previsão para algo sequer parecido – o que soa estúpido não fosse irresponsável.
No encontro, voltamos a cobrar uma data aproximada para o início da duplicação da 287 a partir de Santa Maria. Mas coube ao representante do governo do estado responder de que se trata apenas de uma possibilidade real, sem indicar um horizonte provável, o que causa angústia e preocupação. De concreto apenas que, em agosto, inicia a série de processos que precisam ser vencidos antes da primeira máquina estacionar em Santa Maria, começando com a revisão quinquenal do contrato. Ou seja, uma posição tipo “retranca”, a mesma do secretário da Reconstrução Gaúcha que, em janeiro, garantiu tão somente a possibilidade.
Apesar de o consórcio privado trazer em sua designação o nome de Santa Maria, principal cidade da Região Central e maior município ao longo dos 204 quilômetros da duplicação da RSC-287 (até Tabaí), ironicamente, na prática, continuamos na fila como os últimos que irão presenciar e usufruir dos benefícios completos de uma duplicação há muito desejada e pela qual há anos estamos pagando ao cruzar por uma das cinco praças de pedágio instaladas na extensão da via.
Por isso nos mantemos na luta e na pressão, além de acompanhar ainda mais de perto esse processo, para que subterfúgios e “letras pequenas” não mais atrapalhem o direito e o desenvolvimento de Santa Maria e região.
(Artigo originalmente publicado no jornal Diário de Santa Maria – edição de 16 de abril de 2026)

