Comitê da RSC-287: Sacyr promete entrega da segunda ponte do Arroio Grande neste ano

A entrega da segunda ponte sobre o Arroio Grande, em Santa Maria, cuja estrutura foi completamente derrubada pela enxurrada ocorrida no final de abril de 2024, deverá ser concluída num prazo máximo de seis meses. A confirmação foi dada nesta terça-feira (14/4), durante reunião do Comitê Permanente de Acompanhamento das Obras da RSC-287, por Cesar Cruvinel, gerente socioambiental da empresa Sacyr, concessionária privada responsável pela exploração comercial e pelos serviços de manutenção e duplicação dos 204 quilômetros da rodovia, entre Tabaí e Santa Maria. De acordo com Cruvinel, o Exército, que desde a derrocada da estrutura original montou duas pontes provisórias e garantiu a mobilidade e o tráfego na região, iniciou nesta terça (14), o desmonte da unidade (a primeira foi há seis meses, período em que foi construída a primeira das duas novas estruturas). Ainda segundo o gerente, essa segunda ponte deverá demorar um mês a mais que a anterior, pois há necessidade de realizar a remoção dos entulhos resultantes do desmoronamento da antiga unidade. Por sua vez, a ponte sobre o Arroio Barriga, em Novo Cabrais, também levada pelas águas há dois anos, já está com o trânsito liberado.

A reunião do Comitê Permanente foi chamada pelo deputado Valdeci Oliveira, membro efetivo da Comissão de Assuntos Municipais (CAM) da Assembleia Legislativa e à qual o colegiado está subordinado. “Este espaço foi criado justamente para ouvir as diferentes posições, trazer e buscar solução para os problemas enfrentados pelas comunidades lindeiras à RSC e manter o diálogo aberto entre todos os atores. Apesar das obras estarem acontecendo a partir de Tabaí, ainda há dúvidas e reivindicações na outra ponta. Por isso buscamos criar as condições necessárias, tanto políticas quanto econômicas para que seja possível antecipar etapas e atender também aquelas regiões que estão pagando pedágio há anos”, destacou o parlamentar.

Outra questão que muito tem sido debatida desde o início das obras de duplicação da RSC foi levantada por Valdeci Oliveira, que questionou sobre quando, de fato, Santa Maria contará com os trabalhos a partir do município, uma vez que pelo contrato original isto somente seria feito por volta de 2040, colocando a região como a última a receber as obras. Conforme o subsecretário da Secretaria da Reconstrução Gaúcha, Diego de Campos, a antecipação “é uma possibilidade real”, sendo a revisão quinquenal do contrato, que busca atualizá-lo diante das necessidades e mudanças nos fluxos da rodovia, o mecanismo mais adequado para isso.

De acordo com o gestor, o prazo previsto para que esta revisão em contrato seja feita começa no mês de agosto e que a secretaria busca realizar todas as fases, incluindo cronograma de trabalhos com as possíveis adequações e os impactos tarifários decorrentes destes. Além disso, informou Campos, há necessidade de realização de uma audiência pública obrigatória para discutir essas questões, ainda neste ano, para que, em 2026 seja iniciado com a conclusão desses trâmites iniciais. A partir daí, com a lista de investimentos e projetos executivos aprovados, é que será possível indicar o início das obras de forma antecipada em relação ao previsto originalmente. Um dos limitadores até aqui colocados, tanto pelo governo quanto pela concessionária para a abertura de uma frente de trabalho da duplicação a partir de Santa Maria (hoje esses canteiros de obras estão concentradas em Tabaí e Santa Cruz do Sul) é que o Volume Diário Médio (VDM) do tráfego registrado na região não alcança 18 mil veículos.

Outros pontos tratados na reunião, disseram respeito aos acessos às propriedades lindeiras à RSC-287, uma questão muito demandada, principalmente por produtores rurais. De acordo com os representantes do governo como da Sacyr, estes estão avançando e sendo feitos por trechos e não de forma contínua. A medida, inclusive, foi destacada como uma das grandes contribuições do Comitê Permanente, que levantou o problema e conseguiu construir o consenso de que o executivo estadual abarcasse os custos dessas obras que não estavam previstas no contrato de duplicação.

Problemas como a demora na passagem – seja pelos sistema manual ou automático – nas cinco praças de pedágio da rodovia também foram admitidos e esclarecidos, com a garantia, pela concessionária, de  que estes deixem de ocorrer ou reduzam cada vez mais a incidência. Já em relação às condições de trafegabilidade em diversos pontos da RSC, com a pista apresentando buracos e grande desgaste, a concessionária buscou justificar a situação ao ter que redirecionar parte dos recursos empregados na manutenção para a reconstrução da via depois da enxurrada de 2024, o que não estava previsto nos cronogramas de trabalho. As reclamações dos usuários quanto a essa questão foram confirmadas por representantes da Agergs presentes à reunião. Segundo eles, são muitos os registros feitos junto à Agência reguladora, incluindo pedidos de ressarcimento de danos materiais, e que um acompanhamento mais de perto estaria sendo feito, além da aplicação de um plano de fiscalização continuado, com indicadores que possibilitem verificar se houve ou não a redução desses eventos.

Também participaram do encontro o deputado Elton Weber, os prefeitos de Candelária e Paraíso do Sul, além de representantes dos usuários da 287 junto à Agergs.

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